Criei este blog com o intuito de fugir do modelo vou-falar-da-minha-rotina-que-nem-a-brunasurfistinha e tentar não escrever coisas do tipo "hoje eu comi pão-com-ovo e chupei graviola", mas desta vez vou me dar ao luxo de falar um pouco da minha vida. Preparem seus saquinhos de vômito, crianças.
Nestes dias que eu tenho feito umas análises introspectivas (regadas à muitos filmes e leituras de madrugada), eles vem mostrando para mim uma coisa que eu já desconfiava à muito tempo. São tantas as pessoas que eu conheço, tantos os problemas que me contam e tantas as vezes que eu empresto os ouvidos e ombros para alguém que eu já tinha me esquecido o que é dar um tempo a si para poder ouvir os próprios pensamentos, delinear trajetos, planos para o futuro, eliminar "bolações" e etc, sem ficar se preocupando com o
trululí (onomatopéia para o barulinho que o msn faz quando se recebe mensagem) do msn ou em atualizar fotolog, ver caixa de email, procurar baterista para
a banda, ligar pra não sei-quem te contar como anda o namoro de fulaninha ou ligar pra beltrana para saber se sicrana está em casa e quer sair com você.
Brincar com a solidão é perigoso mas ao mesmo tempo é reconfortante. Aquela sensação de que estamos indo contra o nosso inconsciente que clama pela coletividade e subverter a idéia convencionada de
socialidade à qualquer preço que nos é cuspida diariamente nos dá uma sensação de liberdade, de fortaleza, de auto-conhecimento.
Até que é interessante ser o "mediador" em um mundo onde as pessoas estão acostumadas a conquistar tudo no grito e sem se preocupar em emprestar os ouvidos à quem se precisa, aliás eu não sinto dificuldade alguma para isso, mas infelizmente existe gente que "não-sabe-brincar" e acha que você deve servir de
muleta psicológica sempre que elas se sentem 1% desamparadas por qualquer motivo (até pela quebra da unha) e cospem os problemas delas como se fôssemos Senhores(as) Perfeição-sem-problemas-e-defeitos. A solidão que muitas vezes nos levamos para nos sentir mais livres e recarregados pode ajudar tanto a nós quanto estas pessoas que acham que é sempre que se precisa de ajuda externa para solucionar os problemas de suas vidas.
Dar um tempo a si é ótimo, reconfortante, mas sempre sem esquecer de uma coisa: O mundo é do lado de fora.