Livros HQ
Tenho gostado e procurado cada vez mais este tipo de literatura que vem crescido bastante (como os a série
Sin City), os livros escritos em forma de quadrinhos. Eis alguns que li recentemente e achei interessantíssimos:
MAUS - Art Spigelman (relançamento do original da década de 80)
Imagine uma história real ocorrida na época da Segunda Guerra Mundial sendo contada através de quadrinhos, foi isso que o cartunista Art Spigelman fez.
Maus narra a história de um judeu que conta para o seu filho como era a sua vida nos guetos e no campo de concentração de Auschwitz (ou MAUSchwitz como diz o título do primeiro capítulo). O fato de Spielgman ter usado os quadrinhos para falar de um assunto tão denso não retirou o caráter documental do livro pois ele mostra com detalhes como os nazistas invadiram a Europa, as relações nos guetos e nos campos de concentração, as carências materias e psicológicas dos presos e etc, tudo sem perder o dinamismo de uma história em quadrinhos.
Uma coisa muito interessante também são as figuras antropomórficas dos personagens. Os judeus são retratados como ratos (
maus, eu alemão), os alemães como gatos (intencionalmente? não, imagina...), os poloneses como porcos (alguns ratos usavam máscaras de porcos para poder sobreviver), os americanos como cães, franceses como sapos, ingleses como peixes e aí vai. O motivo disso é notório...
Se você curte História e quadrinhos, Maus é uma leitura perfeita para ti e lhe fará refletir bastante sobre a questão do racismo em geral e do nível que a desumanidade e intolerância racial podem chegar no ser humano.
MINHA VIDA - Robert Crumb
Conheci o trabalho de R.Crumb pela primeira vez numa edição antiga da Revista Mad (revista a qual eu tenho um vício particular, hehe) e sempre o achei um dos maiores símbolos do que pode-se chamar de "pessoa sequelada". Este livro conta a sua história desde a infância recheada com problemas psicológicos, a tara por mulheres do tamanho de postes, como ele se tornou um ícone hippie e como ele destruiu a sua associação à esta estética, tudo isso através do seu traçado já muito bem consagrado e sua linguagem sexista, imoral, politicamente incorreta, niilista, sarcástica e cheia de crises existencialistas que nos denotam as suas viagens com LSD.
Robert Crumb nos mostra com este livro que, apesar de não estar mais ligado à estética riponga que o consagrou com ícone da contracultura, que ele está mais vivo e sequelado do que nunca. Graças!
Calma, não será sempre que darei uma de crítico pseudo-intelectual que acha que um bom livro ou filme só presta se não der para ser entendido por uma pessoa que não tenha feito no mínimo mais de 5 faculdades.