XXX

Ele que nos guia, nos cria, nos domina e nos escraviza, entorpece nossos sentidos e executa sumariamente a nossa racionalidade.
Nos retira do mundo por alguns minutos ou horas, é uma das formas mais sublimes do querer e a mais nefasta de violência.
A Ditadura do entra-e-sai, da língua no pescoço, da mão puxando os cabelos.
A Lei do suor, do gemido, do contato entre as coxas.
É aonde reside a verdadeira anarquia dos movimentos.
É aonde reina o real comunismo utópico das sensações.
É a mais libertária e coreografada das danças.
É o pacificador mas eficaz e a arma com maior poder de fogo.
É o combate derradeiro entre sagrado e o profano.
Aí vem a explosão, que amputa os nossos membros e sensações por alguns instantes, nos cegando e nos ensurdecendo para o mundo exterior...
Mas uma explosão que invés de nos matar nos torna cada vez mais vivos.