Pra dizer que não falei de flores (abertas)...
A imaginação erótica feminina é uma coisa que me dá uma certa inveja. Enquanto nós homens nos excitamos facilmente vendo um amontoado de peitos e nádegas nas revistas e sites especializadas no assunto ou até com cadelas mijando em alguns casos específicos, as mulheres já tem uma inteligência sexual mais elaborada e criativa que vai além da fixação nos órgaos sexuais.
Eu tava lendo aqui o livro
As Meninas da Lygya Fagundes Telles (por livre e espontânea pressão da faculdade) que tem uma passagem que sintetiza muito bem tudo isso:
" Em verdade vos digo que a nudez dos olhos será mais excitante do que a do sexo. Pura convenção achar o sexo obsceno. E a boca? Inquietante a boca mordendo, mastigando, mordendo. Mordendo um pêssego, lembra? Se eu escrevesse começaria uma história com este nome, o Homem do Pêssego. Assisti de uma esquina enquanto tomava um copo de leite: um homem completamente banal com um pêssego na mão. Fiquei olhando o pêssego maduro que ele rodava e apalpava entre os dedos, fechando um pouco os olhos como se quisesse decorar-lhe o contorno. (...) Alisou a penugem da casca com os lábios e com os lábios ainda foi percorrendo toda a superfície como fizera com as pontas dos dedos (..) com raiva quase, esfregou-o queixo enquanto com a ponta da língua, rodando-o nos dedos, procurou o bico (...) achou o bico rosado e começou a acariciá-lo com a ponta da língua num movimento circular, intenso. Pude ver que a ponta da língua era do mesmo rosado do bico do pêssego (...) Quando abriu o bocão e deu o bote, que fez espirrar longe o sumo, quase engasgei no meu leite. Ainda me contraio inteiro quando lembro, oh Lorena Vaz Leme, não tem vergonha? "
Acho que passarei a comer mais pêssegos na rua...